O deputado estadual Wellington Callegari protocolou, nesta terça-feira (14), uma Ação Civil Pública com pedido de tutela de urgência contra o Governo do Espírito Santo. A medida questiona a Resolução CEE-ES nº 9.096/2025, editada pelo Conselho Estadual de Educação.
A ação foi distribuída à 3ª Vara da Fazenda Pública Estadual da Comarca de Vitória. Desde já, o parlamentar pede a suspensão imediata dos efeitos da norma. Além disso, requer a declaração de nulidade do ato administrativo.
O que diz a resolução questionada
A Resolução nº 9.096/2025 aprova as Diretrizes Operacionais das Escolas de Assentamentos da Reforma Agrária. Com isso, define orientações administrativas, pedagógicas e curriculares para essas unidades de ensino.
Na prática, o texto estabelece parâmetros que passam a orientar o funcionamento dessas escolas. No entanto, segundo o deputado, a forma como isso foi feito levanta sérias preocupações jurídicas e constitucionais.
Pontos centrais da contestação
Entre os principais questionamentos, Callegari critica a adoção de uma matriz pedagógica vinculada a um movimento social específico como referência normativa do Estado. Além disso, aponta a previsão de participação de lideranças dos assentamentos na elaboração dos projetos político-pedagógicos.
Para o parlamentar, essas diretrizes ultrapassam o papel técnico do Conselho Estadual de Educação. Dessa forma, avançam sobre competências que não lhe cabem.
Extrapolação de competência e impacto financeiro
Segundo a ação, o Conselho extrapolou sua competência ao instituir diretrizes pedagógicas de caráter obrigatório. Ao mesmo tempo, criou obrigações administrativas sem a realização de estudos prévios de impacto financeiro.
Além disso, o deputado sustenta que a resolução adota fundamentos de natureza ideológica como orientação oficial do Estado. Com isso, compromete princípios básicos da administração pública.
Violação a princípios constitucionais
Na Ação Civil Pública, Callegari afirma que a norma viola princípios constitucionais da educação. Entre eles, destaca o pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas. Também menciona a afronta à liberdade de ensinar e aprender.
Da mesma forma, o texto apontaria violação aos princípios da legalidade, impessoalidade e neutralidade administrativa. Segundo o deputado, a resolução estabelece um vínculo explícito entre processos educativos e processos políticos.
Consequentemente, esse modelo comprometeria o dever do Estado. O Estado, por sua vez, deve garantir uma educação pública plural, técnica e isenta de direcionamentos ideológicos.
Fiscalização do Parlamento e defesa da educação
Para Callegari, a iniciativa reforça o papel fiscalizador do Poder Legislativo. Ao mesmo tempo, preserva a educação como política de Estado, e não de governo.
Assim, o deputado afirma que o objetivo é assegurar segurança jurídica. Além disso, busca garantir pluralidade pedagógica e respeito às famílias capixabas.
Projeto de Decreto Legislativo
Paralelamente à ação judicial, o parlamentar anunciou outra medida. Ele irá protocolar na Assembleia Legislativa um Projeto de Decreto Legislativo.
A proposta tem como objetivo sustar os efeitos da Resolução nº 9.096/2025. Para isso, utiliza o instrumento constitucional de controle político sobre atos do Poder Executivo.
Segundo Callegari, mudanças estruturais na política educacional exigem debate amplo e transparente. Por essa razão, devem passar pelo crivo do Parlamento.
Dessa forma, a iniciativa busca garantir respeito à Constituição. Além disso, reforça a participação democrática nas decisões que impactam estudantes, famílias e profissionais da educação no Espírito Santo.
