Homem tem alergia após fazer tatuagem vermelha e passa por 7 cirurgias

Caso de polonês virou objeto de estudo por dermatologistas. Alergia foi tão grave que ele teve de remover parte da pele em procedimentos

- Reprodução/Clinics and Practice

Um homem polonês de 36 anos, que já tinha diversas de tatuagens pelo corpo, acabou sendo surpreendido por uma grave crise de alergia quando pintou detalhes de uma delas com tinta vermelha. O mais surpreendente é que os sintomas apareceram somente quatro meses após o procedimento.

A reação dele foi tão grave que o caso foi descrito na revista Clinics and Practice em novembro como um conjunto incomum de sintomas. “A tinta vermelha para tatuagem, em particular, está associada a reações de hipersensibilidade tardia, mas manifestações generalizadas que afetam múltiplos sistemas orgânicos não foram documentadas antes”, escrevem os pesquisadores.

Tratamento longo e com complicações

A irritação da pele se espalhou pelos braços e pelo peito do homem, fazendo com que ele fosse hospitalizado diversas vezes entre janeiro e fevereiro de 2021, seis meses após a tatuagem. Os médicos só perceberam a relação com a tatuagem quando os medicamentos conseguiram controlar os sintomas nas demais áreas do corpo, mas não no antebraço direito, onde estava a maioria dos desenhos em vermelho.

É muito raro que uma irritação alérgica causada por uma tatuagem se espalhe para além da área afetada. Segundo os dermatologistas da Universidade de Wroclaw, na Polônia, há apenas outros dois casos documentados de um impacto tão amplo no organismo.

Diversos tratamentos foram testados para controlar a irritação na área, que ao longo do tempo perdeu os pelos e a capacidade de transpirar, além de apresentar sinais de vitiligo na região próxima.

Após conseguir controlar a irritação por um período, o homem foi orientado a retirar a tatuagem quando se percebeu em testes que ele tinha alergia a possíveis componentes da tinta como o dicromato de potássio.

Somente após o tratamento cirúrgico, com sete pequenos procedimentos, e sessões de laser para a remoção da pele afetada pela tinta vermelha, ele teve a melhora do quadro geral de saúde. O cabelo dele voltou a crescer e a progressão do vitiligo foi interrompida, embora os danos às glândulas de suor tenham persistido.

Biópsias de pele das mãos e da axila esquerda do homem revelaram que restam poucas glândulas sudoríparas, mesmo em sua pele sem tatuagens. Por correr o risco de superaquecer sem o suor, o paciente foi orientado a não fazer exercícios físicos pesados. Ao longo do tratamento, ele foi hospitalizado oito vezes por conta da tatuagem.

O que causou a alergia à tatuagem?

Como o homem tinha um histórico de tireoidite de Hashimoto, doença que potencializa quadros de alergia, os médicos acreditam que a doença possa ter relação com as suas alergias.

A explicação, porém, parece estar também na tinta, dado o elevado nível de morte celular observado na área afetada pelo pigmento vermelho. Como não foi possível testar a tinta usada para fazer a tatuagem, não se sabe se havia alguma substância tóxica no pigmento, mas os dermatologistas que descreveram o caso do polonês alegam no estudo do caso ser comum que pigmentos vermelhos usem eventualmente mercúrio na composição, uma substância altamente tóxica.

“Pacientes com algumas doenças autoimunes, como nosso paciente com tireoidite de Hashimoto, devem ser particularmente cautelosos ao decidir fazer uma tatuagem”, escreve a equipe. Os médicos observam que o pigmento vermelho parece especialmente perigoso, com reações relatadas em pessoas com dermatite atópica, asma e doença celíaca.

FONTE: METROPOLES