‘Fantasma da floresta’: gato extinto há 30 anos reaparece ‘do nada’ e gera alerta ambiental

Gato-de-cabeça-achatada, considerado extinto há 30 anos na Tailândia, é redescoberto por câmeras em reserva natural e acende alerta ambiental

felino raro, dado como possivelmente extinto no território tailandês desde os anos de 1990, voltou a ser registrado na natureza.

O gato extinto há 30 anos, da espécie gato-de-cabeça-achatada, uma das espécies de gatos selvagens mais ameaçadas do mundo, após flagrantes feitas por câmeras de monitoramento no sul da Tailândia.

Gato extinto há 30 anos não era visto desde 1995 no país

O gato-de-cabeça-achatada (Prionailurus planiceps) havia sido observado pela última vez na Tailândia em 1995. Desde então, a espécie era considerada “possivelmente extinta” no país.

A confirmação veio após um levantamento iniciado em 2024 na Reserva de Vida Selvagem Princesa Sirindhorn, onde armadilhas fotográficas captaram 29 registros confirmados do felino.

O trabalho foi conduzido pelo Departamento de Vida Selvagem da Tailândia em parceria com a organização internacional de conservação Panthera.

Redescoberta do gato extinto há 30 anos preocupa cientistas

Para os pesquisadores, a redescoberta tem dois lados.

“É emocionante, mas também preocupante”, afirmou o especialista em felinos selvagens Kaset Sutasha, da Universidade Kasetsart, em Bangcoc (capital tailandesa).

Isso porque o reaparecimento da espécie ocorre em um cenário de forte pressão ambiental, especialmente sobre áreas úmidas, habitat essencial para a sobrevivência do animal.

Um dos felinos mais raros do planeta

Gato-de-cabeça-achatada, caçando na água e entre folhagens verdes, focado e atento ao movimento ao seu redor.Gato extinto há 30 anos é exclusivo do Sudeste AsiáticoFoto: Canva/ND Mais

O gato-de-cabeça-achatada é exclusivo do Sudeste Asiático e figura na UICN (Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza), a mesma que deixou pandas-gigantes na lista de extinção em 2016.

A estimativa global aponta para cerca de 2,5 mil indivíduos, número considerado extremamente baixo.

Levemente menor que um gato doméstico, o felino é noturno e depende de pântanos, manguezais e florestas alagadas para caçar e se reproduzir. Esses ambientes, no entanto, estão entre os mais ameaçados da região.

Monitoramento revelou fêmea com filhote

Devido à vegetação densa e ao comportamento discreto da espécie, o uso de câmeras automáticas foi decisivo para o estudo. Segundo a Panthera, ainda não é possível determinar quantos indivíduos diferentes aparecem nas imagens, já que os animais são muito semelhantes entre si.

Mesmo assim, os registros indicam sinais positivos. Entre as imagens captadas, havia uma fêmea acompanhada de um filhote, o que sugere reprodução ativa na região.

pesar das notícias, os riscos seguem altos. Isso porque as florestas pantanosas do sul da Tailândia vêm sendo rapidamente ocupadas por atividades agrícolas, fragmentando o território e dificulta a reprodução.

Além disso, os especialistas alertam para o risco de doenças transmitidas por animais domésticos, outro fator que pode comprometer a sobrevivência da espécie.

Redescoberta de gato extinto há 30 anos aumenta pressão por conservação

Para os pesquisadores, o reaparecimento do gato extinto há 30 anos precisa ser acompanhado de ações concretas. Isso inclui proteção do habitat, monitoramento contínuo e políticas públicas voltadas à conservação da fauna silvestre.

Sem essas medidas, especialistas afirmam que a redescoberta pode se transformar apenas em um registro histórico, e não no início da recuperação real da espécie.

FONTE: NDMAIS