Mais de 70% das famílias do Espírito Santo convivem hoje com algum grau de endividamento. O dado reflete uma pressão contínua sobre o orçamento doméstico e ajuda a explicar por que janeiro é percebido como o mês mais pesado do ano para o consumidor capixaba.
Levantamentos de entidades do comércio e do setor financeiro mostram que o endividamento se mantém em patamar elevado no Estado, com destaque negativo para o cartão de crédito e o crédito pessoal, modalidades que concentram a maior parte da inadimplência.
Cartão de crédito vira vilão do orçamento
O cartão de crédito segue como o principal fator de desequilíbrio financeiro das famílias. Embora seja visto como ferramenta de conveniência, ele se transforma rapidamente em armadilha quando usado para cobrir despesas básicas.
No Espírito Santo, grande parte dos consumidores já utiliza o cartão para compras do dia a dia, como alimentação, farmácia e contas recorrentes. Com juros elevados no rotativo, a dívida cresce em efeito cascata e compromete meses seguintes de renda.
O crédito pessoal aparece logo atrás. Muitas famílias recorrem a empréstimos para quitar dívidas antigas, criando um ciclo de refinanciamento que prolonga o endividamento.
Janeiro concentra contas e aperta o consumo
Se o ano termina com gastos elevados, janeiro chega com cobranças acumuladas. IPTU, IPVA, material escolar, matrícula, impostos e despesas básicas reajustadas formam uma combinação que pesa no orçamento.
No Espírito Santo, o impacto é ainda mais sensível entre famílias de renda média e baixa, que já entram no ano com compromissos assumidos no segundo semestre.
O resultado aparece no comércio. Varejistas relatam queda no consumo, compras mais parceladas e maior cautela do cliente, que prioriza quitar dívidas antes de voltar a consumir.
Inadimplência cresce e acende alerta
Com renda pressionada e juros ainda altos, a inadimplência avança. Famílias que atrasam parcelas do cartão ou do crédito pessoal encontram dificuldades para renegociar, especialmente quando já possuem restrições no CPF.
Especialistas apontam que o problema não está apenas no volume da dívida, mas na qualidade do endividamento. Boa parte das famílias deve não por investimento ou planejamento, mas para manter o consumo básico.
Ajuste lento e cenário desafiador
Mesmo com sinais pontuais de melhora na economia, o ajuste financeiro das famílias capixabas tende a ser lento. Enquanto o custo do crédito permanecer elevado e a renda crescer de forma moderada, o endividamento seguirá como um dos principais entraves ao consumo no Estado.
Janeiro, mais uma vez, confirma sua fama: é o mês em que o bolso aperta, as dívidas aparecem e a realidade financeira bate à porta das famílias capixabas.
