Corpus Christi de Castelo consumirá 70 toneladas de material

Com mais de 1,5 km de tapetes feitos por 3 mil voluntários, celebração mistura arte, fé, tradição e sustentabilidade em homenagem ao Santíssimo Sacrament

No próximo dia 19 de junho, a cidade de Castelo promoverá uma das mais grandiosas manifestações de fé do Brasil. A tradicional Festa de Corpus Christi atrai a atenção de fiéis e turistas pelo seu esplendor visual e pela força da religiosidade popular, expressa em verdadeiras obras de arte: os famosos tapetes e passadeiras que revestem as ruas com beleza e devoção. Em preparação para a festa Eucarística, começou na última segunda-feira, 9 de junho, pela primeira vez, a novena de Corpus Christi de Castelo (leia aqui).

A dimensão dessa celebração impressiona. São 17 quadros com 17 passadeiras formando tapetes expostos em quase  1,5 km e aplaudidos por milhares de moradores e turistas. São cinco mil metros quadrados de arte a céu aberto. “A expectativa é de que 150 mil pessoas participem do evento este ano”, estima Luciano Travaglia, presidente do Instituto Cultural Irmã Vicência (ICIV).

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Para criar os tapetes, serão utilizadas cerca de 70 toneladas de materiais naturais e recicláveis — uma mistura harmoniosa entre arte, fé e sustentabilidade. Por trás dessa produção monumental, está o trabalho silencioso e dedicado de mais de 3 mil voluntários, unidos pelo espírito de comunidade e pela missão de manter viva uma tradição iniciada pela Irmã Vicência em 1963.

Tapetes que emocionam e inspiram

A beleza dos tapetes de Corpus Christi de Castelo vai além do visual: são expressões da fé cristã, feitas com cuidado, criatividade e profundo simbolismo. Segundo Travaglia, o ICIV, responsável pela gestão do evento, 34 equipes com 600 componentes são mobilizadas desde o fim da festa de cada ano para preparar cada detalhe da próxima.

“Temos estudantes, comerciantes, moradores das comunidades rurais e urbanas, grupos de oração, paróquias, o terço dos homens. É uma força-tarefa guiada pela fé”, conta.

Obras de arte feitas com fé e materiais inusitados

Entre os materiais usados, destacam-se 55 toneladas de pedras, em diversas granulações (calcita, dolomita e pedriscos), duas toneladas de mármore e granito, além de uma variedade de elementos orgânicos e reaproveitados: cepilho (raspas de madeira), raspas de pneus, palha de café escuro e despolpado, borra de café, galhos de cipreste, tampinhas de garrafa e a delicada crista de galo, flor cultivada especialmente para os tapetes em uma área do tamanho de um campo de futebol em Braço do Sul no Forno Grande. A área foi cedida por uma empresa a partir da intervenção do tesoureiro do ICIV, José Targa, gerente da fazenda.

O aroma característico da festa também voltou a ganhar destaque. “Uma pesquisa revelou que as pessoas sentiam falta do cheiro da celebração dos tempos da Irmã Vicência. Retomamos o uso da palha e da borra do café, do cipreste e da crista de galo exatamente por isso. O cheiro faz parte da memória afetiva e espiritual do Corpus Christi”, explica Luciano.

Sustentabilidade e legado

Apesar da magnitude do evento, a preocupação com o meio ambiente é central. Os materiais utilizados são reaproveitados, e a Prefeitura de Castelo recolhe tudo após a procissão, utilizando parte dos resíduos para melhorias em estradas vicinais da região. “É uma festa que deixa rastros de beleza e fé — e também benefícios concretos para as comunidades”, ressalta Travaglia.

Frei Antônio Rabanal O.A.R., pároco da Igreja Matriz Nossa Senhora da Penha, lembra que a Festa de Corpus Christi em Castelo é muito mais que um evento religioso. “É uma poderosa expressão de fé coletiva que transforma a cidade em um imenso altar a céu aberto, onde mãos anônimas constroem com muita dedicação, arte com devoção”, conclui.

Corpus Christi de Castelo em números impressionantes:

Público esperado: 150 mil pessoas

Materiais utilizados: 70 toneladas

Pedras (calcita, dolomita e pedriscos): 55 toneladas

Mármore e granito: 2 toneladas

Cepilho (raspas de madeira): 600 sacos

Raspas de pneus: 10 toneladas

Palha de café (escura e despolpada): 300 sacas

Borra de café: 500 kg

Cipreste e crista de galo (flores) – o equivalente a dois campos de futebol

FONTE: NOTICIA CAPIXABA