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Presidente da Fifa defende Catar e rebate críticas ocidentais: 'Hipocrisia'

Presidente da Fifa defende Catar e rebate críticas ocidentais: 'Hipocrisia'

Em uma coletiva de mais de 1h30min, Gianni Infantino citou progressos do país árabe nos direitos humanos e questionou histórico de xenofobia e discriminação dos europeus.

  Por Redação - BLN

  19.novembro.2022 às 09:52Atualizado em 19.novembro.2022 às 10:01

Em uma entrevista concorrida e polêmica, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, saiu em defesa do Catar neste sábado (19) e definiu as críticas sobre as condições de trabalho no país da Copa e as violações aos direitos humanos como hipócritas. Ao longo de mais de 1h30min de coletiva, o mandatário da entidade máxima do futebol disse que a mídia vem ignorando os progressos feitos pelos cataris nessas áreas e pediu que o mundo ocidental "se olhe no espelho" antes de dar "lições de moral".

"Não tenho que defender o Catar, eles se defendem por eles mesmos. Mas, pergunto: quem está realmente preocupado com os trabalhadores? Na Europa, nós fechamos as nossas fronteiras e não permitimos a entrada de imigrantes, ou não damos condições mínimas para eles trabalharem. No ano passado, quando o Talibã assumiu o poder no Afeganistão, o Catar acolheu centenas de milhares de mulheres e crianças afegãs, enquanto muitos países do mundo ocidental fecharam as suas fronteiras para essas pessoas. Nós, europeus, temos que pedir desculpas por tudo que fizemos ao mundo ao longo de mais de 3 mil anos antes de darmos lições de moral", declarou Infantino.

Com a presença de cerca de 400 jornalistas, a entrevista coletiva do presidente da Fifa tinha a previsão de ter 45 minutos de duração. Porém, este foi apenas o tempo que o Infantino usou para, em um pronunciamento inicial, se manifestar a respeito das questões controversas relativas ao Catar e que vêm sendo alvo de críticas na mídia. Depois, com as perguntas dos jornalistas, o dirigente falou, no total, por mais que o dobro do tempo previsto.

"Muitos progressos têm sido feitos no Catar. O salário mínimo foi introduzido, há mecanismos de proteção ao trabalhador contra o calor e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) terá, a partir de agora, um escritório permanente no Catar para ajudar os trabalhadores no país. Muitos trabalhadores que vêm ao Catar ganham 10 vezes mais do que ganhavam nos seus países. São medidas reconhecidas por sindicatos internacionais. Mas muita gente não sabe ou finge não saber disso", protestou o dirigente.

Questionado repetidas vezes sobre a falta de democracia, falta de direitos para as mulheres, más condições de trabalho e a cultura discriminatória contra a comunidade LGBT+ no Catar, Infantino disse que o país está trilhando um processo de avanço em questões humanitárias que as nações ocidentais iniciaram mais cedo.

"As reformas levam um tempo. Os nossos países levaram centenas de anos para isso e ainda não chegamos a uma situação social perfeita. Meus pais eram imigrantes e trabalharam muito duro, em muitas condições difíceis. Não no Catar, mas na Suíça. Eu lembro muito bem. Mas hoje a Suíça é um exemplo de tolerância, com vários trabalhadores de diversas nacionalidades trabalhando juntos e com direitos. Faz pouco tempo que a Suíça deu às mulheres o direito ao voto. Temos que nos ver no espelho e ver de onde viemos e se estamos convencidos de que defendemos as causas justas para depois conversarmos. Estamos organizando uma Copa do Mundo e não uma guerra. E a única maneira de buscar melhores resultados é buscando diálogo, não insultando. Peço que busquemos a conversa, o diálogo e a união. Não há necessidade de darmos lições de moral", completou.

Infantino abriu a entrevista dizendo que, hoje, às vésperas da abertura da Copa do Mundo, se sente árabe, africano, gay, deficiente e trabalhador imigrante, ponderando que todos eles são bem-vindos ao Mundial. Na sequência, porém, no trecho da entrevista que mais gerou polêmica, o dirigente comparou as discriminações sofridas por imigrantes no Catar com um caso de bullying que sofreu na sua infância na Suíça.

"Claro que eu não sou catari, não sou árabe, não sou africano, nao sou gay, não sou deficiente e não sou trabalhador imigrante. Mas me sinto como eles. Sei o que é ser discriminado em outro país. Quando criança, na escola, eu sofria bullying porque eu era de origem italiana, não falava bem alemão e tinha cabelo ruivo. O que eu fazia? Tentava fazer amigos e tentava fazer os meus amigos se engajarem e engajarem outros. É o que deveríamos estar fazendo. Não adianta gritar, xingar e brigar. Se trata de engajar. É o que nós deveriamos estar fazendo", finalizou.

Por fim, Infantino pediu que as críticas à Copa do Mundo e aos aspectos controversos do país sejam dirigidas a ele e não aos atletas e treinadores. Ele também destacou o aspecto positivo que o futebol pode ter em questões sociais.

"Não é fácil todo dia ler críticas sobre o evento. Mas sabemos que temos que fazer o nosso melhor. Temos que fazer a melhor Copa do Mundo. E o Catar está pronto para isso", finalizou.

A abertura oficial da Copa do Mundo ocorrerá neste domingo (20), às 13h (horário de Brasília), com a partida entre Catar e Equador, no Estádio Al-Bayt, em Al-Khor.


Fonte: GZH

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