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ARNALDO JABOR: O ALARMISTA DA SAUDADE


Társis Dellano

Társis Dellano

Estudante de Direito, palestrante, apreciador de música popular brasileira e literatura, comunicador especializado em ouvidoria e atendimento ao público

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  22.fevereiro.2022

ARNALDO JABOR: O ALARMISTA DA SAUDADE

Conheci Arnaldo Jabor por volta de uns quatorze anos atrás, lembro que era tarde da noite e eu havia perdido o sono quando vi o meu pai assistindo o Jornal da Globo. Dentre tantas manchetes, um senhor eivado de intelectualidade e sarcasmo, opinava sobre a endêmica corrupção brasileira. Eu era uma criança, e podemos combinar que o tema que eu escutara não é de predileção do público infantil, mas o Arnaldo ganhou um fã naquele meu episódio de insônia numa noite fria.

O tempo passou e a minha admiração por ele cresceu de forma estrondosa. Recordo dos vídeos que eu assistia pelo Youtube, das crônicas e artigos que lia na internet. De antemão já informo: adentrar nas obras de Arnaldo Jabor é um ciclo vicioso e quase sempre sem volta. No entanto, com orgulho afirmo que além de já ser um viciado em seu pensamento crítico, optei por esquecer o caminho de volta ao meu “estado natural”.

A afirmação acima significa que eu concordo com tudo o que ele disse e escreveu? Não. Porém, Jabor sabia como poucos abordar temas delicados, mesmo usando de seus artifícios críticos, e manter a atenção e o respeito dos seus “amigos ouvintes”. Poucas pessoas sabem disso nos dias de hoje, mas é naturalmente possível admirar alguém com posicionamentos diferentes dos nossos. As pessoas são muito mais do que as opiniões que elas emitem.

No ramo da política, Arnaldo foi extremamente coerente com o que ele acreditava. Poucos se lembram, mas ele foi um dos mais ferrenhos críticos dos governos do PT. Contudo, atualmente quando criticava o presidente Jair Bolsonaro, a “nova direita” o atacava como simpatizante ao Partido dos Trabalhadores. Basta lembrar o quanto ele “bateu” na institucionalização da corrupção na era Lula, na incompetência da Dilma e na insensatez dos nossos artistas e intelectuais quando defendiam a ditadura venezuelana. Entendam: Arnaldo Jabor acreditava numa esquerda longe dos padrões bolivarianos e que nunca passou pelo Brasil. Além disso, ele nunca negou ou retificou as suas opiniões acerca dos escândalos do nosso passado populista.

E por falar nessa tal “nova direita brasileira”, tenho uma ótima sugestão: procure tudo que o Jabor disse sobre o caso Celso Daniel, mensalão, “dancinha da pizza” por Ângela do PT, Petrolão, “Valerioduto Tucano” e tantas outras coisas que vocês dizem que nasceram para combater. Acontece que Arnaldo já vinha dando alertas sobre esses riscos desde quando o próprio Bolsonaro não passava de um parlamentar solitário “gritando no deserto”. Inclusive, esse aspecto Jabor e o Capitão tiveram em comum.

O ALARMISTA

Após alertar o Brasil acerca dos problemas que assolava o princípio do milênio, Arnaldo Jabor foi intitulado pela extrema-esquerda de o “Alarmista”. Fato é que necessitava de muita coragem para ser o “anunciante do caos” em meio à um governo populista e que alcançara incríveis 87% de popularidade. Contudo, coragem nunca o faltou.

MAIS JABOR POR FAVOR!

Arnaldo Jabor foi um exímio e premiado cineasta que, sufocado pelo governo Collor, migrou para o jornalismo impresso da Folha de São Paulo, Estadão e O Globo. Estreou em 1991 no Jornal Nacional, Bom Dia Brasil e no Jornal da Globo em 1995. Fica agora a lacuna deixada na literatura, nas colunas, na TV e no rádio, mas nada é tão forte quanto o seu velho bordão inicial: “amigos ouvintes”, que agora não passa de um eco da saudade.

O meu apelo aos novos jornalistas, cineastas, escritores e ao mundo: sejamos mais JABOR por favor!

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