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Nosso cotidiano


Pedro Valls Feu Rosa

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Pedro Valls Feu Rosa é desembargador. Um dos mais renomados juristas do Espirito Santo e do Brasil. Foi um dos mais jovens presidentes do Tribunal de Justiça do Espírito Santo.

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  08.outubro.2018

Amanheceu. Está um lindo dia. O sol azul brilha no céu amarelinho e os passarinhos pulam de galho em galho enquanto as crianças brincam alegres na praça do bairro, os velhinhos passeiam felizes pela rua, um grupo de turistas se delicia com a beleza da cidade, as pessoas seguem em paz para o trabalho e o colorido dos carros passando enfeita as avenidas.

Mas espere: há algo errado nesta descrição. Sim: cadê as crianças, por exemplo? Estão todas trancadas dentro de casa, por conta de a pracinha ter sido tomada por algumas pessoas que lá fazem suas necessidades ao ar livre, sob as vistas de todos, chegando até a agredir quem ousa protestar.

E os velhinhos? Outro erro: eles não estão a passear felizes pelas ruas. Na verdade, dedicam-se ao exercício diário de desviar de buracos e crateras. A quem descuidar-se, a penalidade é uma queda por vezes brutal – daquelas que significam o início do fim de suas vidas, por conta da fragilidade que trazem ao corpo.

Há também o grupo de turistas. Erro grave, esse! Ora, quem virá conhecer as belezas de uma cidade pichada de alto a baixo, alvo permanente da ação impune de vândalos? Quem virá conhecer um lugar cujos bens públicos são depredados à luz do dia, de simples latas de lixo a monumentos? Não, decididamente não há turistas na cena.

Errei também ao escrever que “as pessoas seguem em paz para o trabalho”. Não, elas não seguem em paz – caminham agarrando seus pertences, a passos rápidos, desconfiadas de qualquer tipo que julguem suspeito. Poucas ousam atender um telefonema na rua – afinal, no Brasil das vítimas que são culpadas não se pode “dar bobeira”.

Outra falha: dizer que “os carros estão passando” – na verdade, eles estão sacolejando brutalmente, sendo destruídos no contato diário com algumas das piores vias do planeta. Enquanto sacolejam para cá e para lá vão destruindo junto, aos poucos, a vida e a saúde dos motoristas.

Pois é. Talvez o erro menor, no final das contas, tenha sido dizer que “o sol azul brilha no céu amarelinho”. É interessante: vivemos em um dos locais mais belos do planeta, de clima agradável e isento das tormentas que afetam outros países. Chega a ser intrigante o fato de estarmos transformando nosso cotidiano em algo cinzento, a cada dia mais distante das bênçãos que o Criador aqui derramou.

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