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Pelo desenvolvimento da região Sul


  18.maio.2016

Seria cômico, não fosse trágico

Apesar de não estar presente no encontro, a sensibilidade na percepção dos relatos de pessoas que estiveram lá me dá condição de analisar o todo. E assim o faço!

O que era para ser um encontro politico de demonstração de força acabou por se tornar um grande constrangimento e barrigada. O empresário Tales Machado foi o anfitrião do "teatro de horrores" ocorrido no último sábado, em sua empresa, a MagBan.

A motivação seria reunir tantos nomes de diversos partidos para discutir o “desenvolvimento econômico da região sul do estado”. Mas a falta de habilidade política do empresário levou o encontro para o fundo do poço de uma possível coalizão de forças para enfrentar a sucessão do prefeito Casteglione nas próximas eleições.

O primeiro constrangimento veio com a formação da mesa: ao prestigiar apenas o deputado estadual Theodorico Ferraço, Tales sinalizou de forma clara quais são suas preferências, já que outros dois deputados – Rodrigo Coelho e Marcos Mansur – estavam no evento e foram solenemente ignorados, como se não tivessem nenhuma contribuição a dar. Também compuseram a mesa, o vice-governador Cesar Colnago, o senador Ricardo Ferraço e o deputado federal Evair de Mello, além da diretora da TV Gazeta Sul, Maria Helena.

Outra situação que demonstrou total falta de habilidade política foi deixar o prefeito de Cachoeiro, Carlos Casteglione, e outros prefeitos, de fora da mesa, convidando apenas Dalton Perim, de Venda Nova do Imigrante. Ora, querendo ou não, Casteglione ainda é liderança maior da cidade e os demais prefeitos também se sentiram desprestigiados. Sem contar o empresário Camilo Cola, que do alto de sua vida octagenária foi menosprezado, sendo obrigado a ser mero espectador desse show de horror.

Foi uma demonstração de soberba, como se apenas a família Ferraço e o empresário entendessem de assuntos que poderiam colocar a região sul do estado no eixo do desenvolvimento econômico. Mas a tragédia maior ainda estava por vir: o discurso de Tales.

Sua fala foi desastrosa em todos os aspectos. Causou constrangimento a todos os presentes, ao fazer críticas duras ao prefeito Casteglione, que assistia a uma série de alegações sem fundamento técnico e sem dúvidas deveria passar em sua mente o seguinte pensamento "me trouxeram para uma armadilha". Aliás, o próprio Tales abriu o seu discurso dizendo que não tinha conhecimento da situação orçamentária real de Cachoeiro. Ora, então falou do que não sabia?!

O empresário também disse que ele, como presidente do Sindirochas, nunca visitou o curso de geologia da Ufes em Alegre. Ou seja, critica o prefeito, mas ele mesmo não cumpre suas obrigações “progressistas” na função que lhe cabe. Então, vai se meter em política pra que?!

Tales também disse que não é candidato a nada. É melhor que não seja mesmo, pois sua trajetória na política inicia idêntica ao modelo que levou Dilma Rousseff para o abismo: não sabe dialogar com as forças políticas. Fala a língua apenas de meia dúzia que lhe cerca. Articulação política de gabinete, muito distante dos anseios, vontades e demandas populares.

A característica do evento, inclusive, foi justamente essa: ostentação em seus helicopteros e carros acima de 100 mil reais, reclamando da crise. Crise para quem? Na vida, diria o ditado popular, não há coisa mais feia do que gente chorando de barriga cheia.

O evento também contou com a presença de quase todos os vereadores. Todos eles foram meros coadjuvantes no encontro.

O movimento também foi capitaneado pelo PSD. Partido novo em Cachoeiro, cheio de novos nomes. Por isso, têm o direito de errar. Afinal, são recém-nascidos e não têm mesmo a sagacidade para transitar em todos os cenários.

Se a intenção era mostrar força, o resultado foi justamente o contrário. Não é a primeira vez que empresários tentam se juntar à política para ditar os rumos de Cachoeiro de Itapemirim. Nunca deu certo. E, ao que parece, não será dessa vez, sobretudo se for protagonizado por essa turma elitista, segregacionista e soberba.

Estufam o peito para bradar suas teóricas capacidades de gestão e administração, sem sequer imaginar o que é comandar uma prefeitura. Estão acostumados, na verdade, a administrar dinheiro em sobra, quando, na realidade, em se tratando de Poder Público, a competência é medida pela habilidade em gerir a falta de dinheiro e para onde direcioná-los: a quem mais precisa.

Segundo informações, vários políticos deixaram o evento na metade.

No mais, o resultado foi bom para o prefeito Casteglione e os partidos que ainda compõem o seu grupo, que viram e ouviram uma oposição fragilizada no discurso e nas propostas, carregados de bravatas e que, ao que parece, nunca terão entrada nas periferias, onde está o povo de verdade.

É lá que as ações precisam chegar, não a um grupo que se identifica pelo sobrenome, como se quisessem colocar uma porteira na cidade e deixá-la apenas para suas famílias.

Depois de todas as falas, o evento se encerrou com uma feijoada, cerveja e refrigerante para os convidados. Tudo de graça. Sabe-se lá quanto tudo isso custou, mas pelo tamanho da estrutura oferecida, foi mais do que a prefeitura investiu para a passagem da Tocha Olímpica.

Ou seja, um grupo que vive muito distante da realidade e que ainda tem muita grana para dar banquete aos seus aliados.



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