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Em nome dos que ficaram, obrigado Vida


José Roberto Padilha

José Roberto Padilha

José Roberto Padilha, jornalista, cronista, escritor, técnico de futebol e ex-jogador de futebol profissional, com passagens pelo Fluminense, Flamengo e Santa Cruz de Recife.

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  12.junho.2022

Depois de tantos amigos que nos despedimos durante a pandemia, procurando em cada perda uma explicação para suas súbitas partidas, nada mais justo que, às vésperas do meu aniversário, tirar o chapéu e agradecer a parte que ainda me cabe neste latifúndio.

Ainda em vida, a tal existência que evolui do nascimento até a morte. Afinal, não foram 7 dias. Serão 70 anos em convívio. Não é pouca coisa.

No futebol, uma gratidão. Paixão da minha família, lá em casa todos torciam pelo América. Do Rio e de Três Rios. Aos 8 anos, conheci o Maracanã. Era a final carioca entre o América e o Fluminense. O América foi campeão em 1960 e voltei de Iá empolgado com a festa e as cores da torcida tricolor.

"Posso torcer por eles, meu pai?" Tão feliz, me liberou, mal sabia que estaria em campo, 25 anos depois, com a camisa 11 tricolor, para a forra. Na final da Taça Gb 75, no Maracanã, decidida por Rivelino, de falta, ao apagar das luzes.

Nos estudos, gostaria de ter sido advogado. Estudei Direito na Universidade Gama Filho, mas não consegui completar. A distância entre o Leblon, que morava, e a Piedade, onde estudava, ia ficando cada vez maior na medida em que a preparação física, com seus treinamentos em Full-time, exigia muito de nós.

Tranquei e acabei estudando Jornalismo e História. E como agradeço ter a caneta como aliada de tantas histórias que tinha para contar. Já são 8 livros, uma biografia e um trabalho tático. Ter jogado três Taças GB com Gerson (74), Rivelino (75) e Zico (76), e não contar o que aprontaram, a uma palmo da minha chuteira, não seria legal com os melhores momentos vividos..

Na política, pude retribuir, por 18 anos ao lado ou à frente da gestão do esporte trirriense, graças as gentilezas dos prefeitos Samir Nasser, Celso Jacob e Vinicius Farah, o espaço e as oportunidades que me concederam.

Na pessoal e afetiva, tive a família dos meus sonhos, movida a música, samba, futebol e exemplos. Quatro filhos, quatro netos, além de amar muito a poucas e inesquecíveis mulheres.

Já que a agradeci, vida, peço um pouco mais de seus dias. Quem sabe, anos. Acho que ainda posso contribuir tentando entender os seus mistérios, suas escolhas. As que celebramos, quando chegam, e lamentando, as que decide que devam partir.

De qualquer jeito, obrigado. De coração pulsante que ainda dá o parecer, por aqui, se ainda fizemos por merecê-la ostentar. Em vida.

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