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Entre as raposas e as uvas


José Roberto Padilha

José Roberto Padilha

José Roberto Padilha, jornalista, cronista, escritor, técnico de futebol e ex-jogador de futebol profissional, com passagens pelo Fluminense, Flamengo e Santa Cruz de Recife.

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  06.junho.2022

Poderia ter me formado em engenharia. Ou advogado, escritor, jornalista. Ou ser outro enólogo na minha terra, a que melhor produz um vinho. Se tivesse optado, hoje, estaria com nosso stande do "Vinhos de Portugal", no Jockey Club, cercado de admiradores.

Mas cismei de ser treinador de futebol. A profissão que menos depende das nossas qualificações. Onde o seu sucesso vai muito da inspiração alheia. Por isso, hoje, estava no Maracanã sendo degustado pelas vaias de 70 mil pessoas.

Analisem nosso caso. Não formei esse time do Flamengo. Ele foi concedido há dois anos pelo Abel Braga e retocado por Jorge Jesus. Aí veio o Renato Gaúcho e deu uma boleirada. Passou por outro patrício e acaba de cair na minha mão.

Fui contratado para trazer de volta o sotaque, um pouco da mística e superstição deixados por Jorge Jesus. Que todos sabem que foi uma varinha mágica que nunca mais Portugal emitirá em direção à Gávea.

Contra o Fortaleza, cederam meu maestro à seleção uruguaia. Meu centroavante, Gabygol, está suspenso e não pode bater o penalty que nos levaria à vitória. E o Pedro resolveu bater como ele sem ter alcançado aptidão para tal.

E do que adianta realizar um curso na FIFA, fazer um estágio com o Mourinho se um atacante meu não sai da balada?

Isto sem falar que são seres humanos, não uvas que se forem Merlot, jamais terão o sabor da Cabernet Sauvignon. Já o William Arão, que nos salvou nas últimas rodadas, entrou fora de sintonia. Tive que retirá-lo no intervalo antes que azedasse ainda mais nossa atuação.

Alem disso, pegamos pela frente o ótimo time do Fortaleza, cuja última colocação apenas reflete a ausência de um elenco maior para suportar várias competições. Todos reconhecem o seu valor.

Se o penalty entra, vou para casa tomar um vinho e respirar um pouco. Como não entrou e perdemos, saio debaixo de uma enorme pressão sobre a diretoria para me mandar embora.

Tentei fazer o melhor e, confesso, entre tantos desacertos cometi o meu ao retirar o único que mantinha sua lucidez, o Éverton Ribeiro.

Mesmo assim vou ao Jockey encontrar amigos. Relaxar. Lá não vou encontrar um Acácio que um dia falha, como o Hugo, e no outro sai consagrado da mesa, como um Casal Garcia. E deixar meu currículo.

Quem sabe?

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