
Após mais de 20 anos de negociações, tratado começa a valer e promete impacto direto na economia brasileira
Após mais de duas décadas de negociações, o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia começou a ser aplicado provisoriamente nesta sexta-feira (1º). Com isso, o Brasil entra em uma nova fase no comércio exterior, marcada pela redução de tarifas e ampliação de mercados.
A medida prevê, por exemplo, a eliminação de impostos para mais de 5 mil produtos. Ao mesmo tempo, especialistas alertam que os efeitos não serão uniformes entre setores e regiões.
Os números do acordo: o que muda agora
A implementação será gradual. Ainda assim, os impactos iniciais já são considerados relevantes.
- Mais de 80% das exportações brasileiras para a Europa passam a ter tarifa zero;
- Entre esses produtos, 93% são bens industriais;
- O governo projeta crescimento de até 0,5% do PIB até 2040.
Ganhos para os blocos
Ganhos Mercosul e União Europeia
Além disso, o acordo estabelece metas ambiciosas. No caso do Mercosul, cerca de 92% das exportações para a União Europeia devem ficar livres de tarifas em até 10 anos. Já do lado europeu, 91% das exportações ao Mercosul terão isenção em até 15 anos.
Também há cotas específicas, como:
- 99 mil toneladas de carne bovina com tarifa reduzida;
- 30 mil toneladas de queijos europeus com acesso facilitado.
Quem ganha no Brasil
De forma geral, os setores mais competitivos tendem a se beneficiar primeiro.
1. Agronegócio exportador
O setor lidera os ganhos imediatos. Produtos como carnes, açúcar, etanol e café terão maior acesso ao mercado europeu.
Regiões beneficiadas: Centro-Oeste e Sul.
2. Indústria de máquinas e equipamentos
Cerca de 96% desses produtos entrarão na Europa sem tarifas. Isso amplia a competitividade da indústria nacional.
3. Indústrias dependentes de tecnologia
Além disso, setores como químico, farmacêutico e automotivo devem reduzir custos com a queda de tarifas sobre insumos importados.
Quem pode perder
Por outro lado, alguns segmentos enfrentam riscos com a abertura comercial.
- Indústrias menos competitivas, principalmente no Sudeste, podem perder espaço;
- Pequenos produtores temem a concorrência com produtos europeus;
- Setores artesanais, como queijos e vinhos, podem ser pressionados.
Apesar disso, o acordo prevê prazos de até 15 a 18 anos para adaptação.
Impacto por região no Brasil
Impacto por região no Brasil
O impacto também varia conforme a região:
- Centro-Oeste: maiores ganhos com o agronegócio;
- Sul: crescimento moderado, com atenção à agroindústria;
- Sudeste: impacto misto, com ganhos e pressões industriais;
- Nordeste: efeitos limitados e pontuais;
- Norte: baixo impacto estrutural.
O veredito: oportunidade ou desafio?
O acordo tende a favorecer setores já consolidados. Por outro lado, pressiona segmentos menos preparados para a concorrência internacional.
Especialistas apontam que o Brasil precisará investir em inovação, produtividade e ambiente de negócios. Dessa forma, o país pode transformar a abertura comercial em crescimento sustentável.










