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Negócio difícil


Pedro Valls Feu Rosa

Pedro Valls Feu Rosa

Pedro Valls Feu Rosa é desembargador. Um dos mais renomados juristas do Espirito Santo e do Brasil. Foi um dos mais jovens presidentes do Tribunal de Justiça do Espírito Santo.

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  16.janeiro.2019

Dia desses, e perdoem-me pelo linguajar tosco, deparei-me com um “negócio difícil de entender”. Vejam só: li que, com 281 milhões de viajantes (o equivalente a 7% do total mundial), a América Latina duplicou seu mercado de aviação na última década. A matéria detalhou, em seguida, que nesta região o Brasil está em primeiro lugar, com nada menos de 100,1 milhões de passageiros!

Fiquei a meditar: 100,1 milhões de pessoas é muita gente! Haja avião para tantos passageiros! Li que as empresas aéreas brasileiras precisarão de 1.324 deles até 2.032. Não surpreende, assim, que o nosso país tenha sido o primeiro grande mercado a abrir 100% da aviação civil a estrangeiros.

A esmagadora maioria destes aviões é importada – e os que não o são utilizam diversos componentes produzidos no exterior. Li que o preço de tabela de um modelo médio, desses utilizados para voos domésticos, pode chegar a US$ 100,5 milhões. E não nos esqueçamos das peças de reposição!

Tantos aviões exigirão aeroportos mais numerosos, mais modernos e mais caros. Não serão pequenos os investimentos necessários à preparação e manutenção de toda a infraestrutura necessária para suportar um movimento desses.

Mas voltemos aos 100,1 milhões de passageiros que transportamos hoje. Decidi compará-los com o que uma única linha de trens – a Tôkaidô Shinkansen – transporta no Japão, a partir de Tóquio. Cheguei a mais de 143 milhões de passageiros. Há também a Sanyô Shinkansen, que transporta 64 milhões deles a partir de Osaka. E a Tôhoku Shinkansen, responsável por movimentar 76 milhões de clientes a partir de Tóquio.

Decidi fazer algumas contas. Constatei que apenas três linhas de trem do Japão transportam 283 milhões de passageiros por ano. Seu mercado aéreo, em contraste, transportou apenas 124 milhões de passageiros em 2017. É curioso: no Japão prioriza-se o sistema ferroviário!

Enquanto isso, no Brasil, li que em 2015, “existiam sistemas de trilhos em menos da metade das unidades federativas (48%)”. Surpreendente: preferimos priorizar o transporte por aviões e caminhões, negligenciando as ferrovias e a cabotagem – afinal, temos apenas uns 8 mil km de litoral e nada além de alguns poucos rios pequeninos e rasos.

Devo ser mesmo pessoa de peco bestunto, pois não consigo compreender este quadro tão absurdo.

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