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Dor de amor


Klédison Ramos

Klédison Ramos

Engenheiro, Ator e Escritor

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  23.julho.2018

Amar envolve sentir dor.

Ninguém quer sofrer, mas busca intensamente o amor, como se esse fosse o motivo da vida. Como se amar fosse um pré-requisito para viver.

Busca-se o amor para a vida inteira, busca-se replicar os contos de fada e das histórias da carochinha. Mas nada é tão perfeito e, nem sempre, quase nunca, tem um final feliz.

De sonho e ilusão se constrói muita coisa, mas não o amor. Amores inventados não subsistem. As muitas teorias tentam explicar o que não pode ser explicado. O inexplicável pode ser memorável e inesquecível. Racionalizar demais não faz bem para o coração.

Cegamente, o melhor a se fazer é se jogar e experimentar o que apresenta- se como um regalo do destino. Momentos que ficam na memória como “flashbacks” em câmera lenta e fazem valer a pena cada segundo.

Os amantes são mesmo inconsequentes. Acordam somente quando a vida os revela o padecimento de uma desilusão mais que esperada, mas inesperada.

E isso se aplica a tudo.

Insiste-se em maus empreendimentos, negócios falidos, tragédias anunciadas, somente porque muito se acredita e ama. Ama a ideia de sucesso, ama o que se faz sem nenhum tipo de reserva, e isso não é fácil.

O que é fácil não se costuma valorizar como devia. Prefere-se o que é difícil, complicado, penoso. O impulso faz parte da ânsia masoquista de lançar-se num mar de penúria a troco de nada. Porém, não se pode culpar a impulsividade em si, como se animal fosse e repentes de instinto movesse o corpo e a alma.

Dor inevitável e sorrateira que toma-nos de forma veemente e imprime em nosso peito uma marca indelével.

Dores de mágoa ou de saudade que corrói o peito.

Já escrevi que a saudade é boa. Nem toda dor é ruim.

Sentindo dores e colecionando amores, dia após dia, o coração se envolve de flores e espinhos. Risos e lágrimas copiosas se misturam num rosto de olhar lânguido e boca beijada ardentemente.

A cor do batom ainda está na camisa. O calor do coração palpitante ainda se sente por dentro. O suor de êxtase escorre pelo meio costas largas, o arrepio insiste em não sair da pele. Sensação necessária, torpor da loucura que vicia. Saliva que falta na boca, Nostalgia que se bebe e embriaga.

Corações feridos ainda sangram. Lembranças ainda estão na memória. Dor de estimação, não sai.



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