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Novos velhos amigos


Klédison Ramos

Klédison Ramos

Engenheiro, Ator e Escritor

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  04.junho.2018

Acham-se, pela vida, amigos que surgem e alcançam o nível do surpreendente. Pessoas perdidas, achadas de supetão, e que, de forma colorida, fazem uma bagunça na vida da outra.
É como se sempre se conhecessem. Irmãos de alma com faces de quem são mais que irmãos. Porque é no rosto, na cara, que a alma se reflete.
Caras de bobo quando estão juntos. Similaridades aparecem e risadas surgem do nada. Os olhos falam, a alma diz, e tudo se entende.
Com afago fraterno e as mãos capazes de secar a lágrima insistente, aparecem e trazem um conforto inesperado. Por conta disso, descarta-se a ideia de que amizade é um sentimento tolo, gerado no coração dos sentimentalóides inconsequentes.
A amizade torna-se mais que viva, mais intensa e desprovida de reservas. O jargão ainda é ouvido: “quem tem uma amigo, tem um tesouro”. Mas, o que se tem feito com tanta preciosidade?
Mensagens não respondidas e assuntos por resolver se acumulam nas caixas postais. Ignorar as demandas e as ligações fora de hora não significa que os relacionamentos se tornarão mais fáceis ou que a vida será mais tranquila de ser vivida.
Ouve-se falar tanto em crise: econômica, política e ética. Os jornais noticiam escândalos e mais escândalos, notícias essas que já são esperadas e beiram ao normal. Uma crise que precisa ser considerada é a crise de confiança. Ninguém confia em ninguém. Daí o medo de se dar, de se envolver, de se embrenhar em sentimentos, de se jogar.
Não é somente falta de interesse, não é somente egoísmo. O sentimento de querer se proteger acaba por aprisionar o indivíduo dentro de si mesmo e não dar chance de explorar novos mundos.
Pessoas não são só pessoas. São mundos particulares a serem desbravados.
Os novos velhos amigos que se apresentam tiram o medo da decepção que possa restar no coração; aqueles resquícios de amizades passadas mal resolvidas.
Com a perda de confiança é muito difícil lidar, mas nada melhor do que o velho e bom compartilhar de segredos, piadas internas que só dois entendem.
Os que muito se decepcionaram, os gatos escaldados, não estão isentos de serem tomados, de súbito, por pessoas com olhos iluminados que chegam e ficam. Assim, de novo, dão mergulhos profundos nas águas frias que antes metiam medo; e lá, nadam de braçadas.
Surpresas assustam, mas também encantam. Nada melhor do que boas surpresas tirando o fôlego e trazendo um sorriso novo dos lábios.
Pessoas podem surpreender. Elas são mais interessantes do que parecem.
Esses amigos, que ficarão para toda a vida, arrancam a zona de conforto sob os pés firmes de quem caminha em rumo fixo e desconstrói a prisão chamada destino, mostrando novos caminhos. Os que assim o fazem, são as melhores espécies de amigos.



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